Entender o custo da prevenção de LER ajuda a diretoria a comparar o investimento preventivo com as perdas causadas por afastamentos, presenteísmo, substituições e queda de produtividade.
Resposta rápida
O custo da prevenção de LER não é um preço único. Ele reúne diagnóstico ergonômico, adequações no trabalho, treinamento, acompanhamento dos trabalhadores e gestão dos indicadores. Para avaliar se o investimento faz sentido, compare esse desembolso com o custo evitável de afastamentos, horas improdutivas, tratamentos, substituições, retrabalho e riscos de conformidade. A melhor decisão costuma ser um programa contínuo, orientado por riscos reais e não apenas a compra de equipamentos. Com diagnóstico, plano de ação e medição, RH, SESMT e diretoria conseguem demonstrar onde o recurso foi aplicado e qual impacto produziu.
Resumo
- O custo preventivo deve incluir diagnóstico, mudanças no trabalho, capacitação e acompanhamento, não apenas mobiliário.
- A NR-17 orienta pausas de recuperação e alternância de atividades como parte das medidas preventivas.
- O ROI deve comparar custos evitados e ganhos operacionais com o investimento total do programa.
- Indicadores de afastamento, queixas, produtividade, adesão e execução das ações sustentam a decisão da diretoria.
- A prevenção funciona melhor quando ergonomia, fisioterapia do trabalho, liderança e gestão de saúde musculoesquelética atuam de forma integrada.

O que é LER e como afeta os trabalhadores?
LER é a sigla tradicional para lesões por esforços repetitivos. No contexto ocupacional brasileiro, o termo costuma aparecer associado a DORT, distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho. A expressão abrange quadros que podem envolver músculos, tendões, nervos, articulações e outras estruturas, quando a organização ou a execução do trabalho expõe a pessoa a sobrecarga física, repetição, força, postura inadequada, compressão ou recuperação insuficiente.
O problema não está restrito ao trabalho administrativo. Pode surgir em linhas de produção, separação de pedidos, conferência, embalagem, manutenção, movimentação de materiais, atendimento e atividades com uso contínuo de computador. Em uma operação logística, por exemplo, a combinação de ritmo elevado, alcance frequente e manuseio de cargas pode produzir um risco diferente daquele observado em uma estação de digitação, mas ambos exigem análise da tarefa real.
Para a empresa, a dor do trabalhador rapidamente se transforma em questão de gestão. Queixas ignoradas podem evoluir para consultas, restrições, afastamentos, substituições e queda de rendimento. Mesmo quando a pessoa permanece trabalhando, o presenteísmo reduz a concentração, aumenta a chance de erro e pode transferir a sobrecarga para colegas. Por isso, a prevenção de LER deve ser tratada como parte da gestão da saúde musculoesquelética, e não como uma ação isolada de conforto.
A NR-17 busca adaptar as condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, promovendo conforto, segurança, desempenho eficiente e prevenção de doenças ocupacionais como LER e DORT. Esse olhar inclui mobiliário, equipamentos, ambiente e, principalmente, a organização do trabalho. A SEFIT recomenda começar pela compreensão das atividades executadas, das queixas relatadas e dos fatores que mantêm o risco ao longo da jornada.

Qual é o custo da prevenção de LER?
Não existe um preço único para prevenir LER. O custo depende do número de trabalhadores, da quantidade de unidades, da complexidade das tarefas, dos riscos encontrados e do nível de acompanhamento necessário.
Em gestão, custo de prevenção é o somatório dos recursos usados para planejar, implementar e manter um sistema capaz de evitar falhas futuras em condições economicamente adequadas. Aplicado à saúde musculoesquelética, isso significa olhar para o programa inteiro, desde o diagnóstico até a verificação dos resultados, em vez de considerar somente o valor de uma cadeira, de uma palestra ou de uma visita técnica.
Entre os componentes mais comuns estão a avaliação ergonômica, o levantamento de queixas e exposições, a análise de tarefas, a definição de prioridades, a adequação de postos, a revisão de fluxos, o treinamento de lideranças e trabalhadores, a comunicação, o acompanhamento de casos e a medição de indicadores. Também entram a manutenção das melhorias e a atualização do plano quando processos, volumes ou equipamentos mudam.
A AEDB descreve como custos de prevenção gastos com planejamento da qualidade, qualificação de processos, avaliação de fornecedores, auditorias, treinamentos e manutenções preventivas. A lógica é útil para a ergonomia: uma ação pontual pode aliviar um sintoma, mas um sistema de prevenção precisa garantir que a solução continue funcionando e seja incorporada à rotina.
Em uma empresa com múltiplas unidades, o orçamento deve separar o que é comum a toda a operação do que é específico de cada local. Uma metodologia de avaliação, um painel de indicadores e um padrão de treinamento podem ser compartilhados. Já mudanças em layout, ferramentas, ritmo e organização precisam respeitar a realidade de cada unidade. Essa separação evita tanto o gasto duplicado quanto a padronização superficial.
O custo da omissão também deve entrar na conversa com a diretoria. Afastamentos geram despesas diretas e indiretas, como atendimento, substituição, horas extras, perda de experiência, queda de qualidade, retrabalho e impacto no clima. O presenteísmo é mais difícil de enxergar, mas pode comprometer produtividade e segurança. O business case fica mais consistente quando mostra a linha de base desses eventos e estima quais parcelas são controláveis.
A prevenção não precisa começar com a intervenção mais cara. Um diagnóstico bem conduzido ajuda a priorizar tarefas críticas, grupos mais expostos e mudanças com maior potencial de impacto. Em alguns setores, a resposta pode envolver organização de pausas e alternância. Em outros, será necessário redesenhar o posto, revisar ferramentas, ajustar o fluxo ou combinar medidas de engenharia com fisioterapia do trabalho e acompanhamento clínico ocupacional.
A SEFIT trabalha com uma visão integrada de gestão de saúde empresarial. AEP, AET, gestão de ergonomia, comitê de ergonomia, treinamentos, fisioterapia do trabalho e gestão ambulatorial podem compor uma arquitetura preventiva conforme a necessidade da operação. O ponto central é transformar o orçamento em um plano verificável, com responsáveis, prazos internos, indicadores e revisão periódica, sem prometer resultado por uma ação desconectada.

Quais são as principais estratégias de prevenção?
As estratégias mais efetivas combinam mudança no trabalho, capacitação e acompanhamento. Nenhuma delas deve ser usada para transferir ao trabalhador a responsabilidade por um risco criado pela organização.
Treinamento e conscientização
Treinamento é importante, mas não substitui a correção das condições que produzem sobrecarga. Ensinar postura sem revisar ritmo, força, alcance, pausas e ferramentas tende a produzir uma orientação difícil de aplicar. A capacitação precisa explicar o risco observado na tarefa, mostrar alternativas viáveis e abrir espaço para que os trabalhadores relatem desconfortos e obstáculos.
Para lideranças, o conteúdo deve incluir sinais de alerta, critérios de encaminhamento, acompanhamento de restrições e forma de conversar sobre produtividade sem incentivar a aceleração insegura. Para o trabalhador, a orientação precisa ser prática: como ajustar o posto, como variar a posição, como usar o recurso disponível e quando comunicar dor persistente. A aprendizagem ganha força quando é reforçada no local de trabalho e incorporada à integração, à SIPAT e às rotinas do setor.
Uma iniciativa de conscientização também deve alcançar manutenção, engenharia, operações, RH e SESMT. Quando o projeto de uma estação, a definição de metas e a escala de pessoas não consideram a exposição musculoesquelética, o treinamento fica isolado. A prevenção passa a ser responsabilidade compartilhada, com decisões registradas e retorno para quem apontou o problema.
Ergonomia no ambiente de trabalho
Ergonomia não é simplesmente comprar mobiliário. É adaptar o trabalho às características das pessoas e às exigências da operação, considerando postura, força, repetição, duração, recuperação, carga mental, ambiente e organização. Em uma estação de computador, o Ministério da Saúde recomenda postura adequada, cadeira ajustável, monitor posicionado entre 50 e 70 centímetros e pausas regulares. Essas orientações precisam ser verificadas na situação real, porque a regulagem adequada depende da pessoa e da tarefa.
A NR-17 exige que as medidas de prevenção incluam pausas para recuperação psicofisiológica e alternância de atividades para variar posturas, grupos musculares ou ritmo de trabalho. Portanto, a empresa deve avaliar se a pausa existe de fato, se é respeitada pela liderança e se a alternância muda a exposição ou apenas desloca a mesma sobrecarga para outro momento.
Para atividades de digitação, o Ministério da Saúde orienta uma parada de 5 minutos a cada 25 minutos de trabalho. A mesma orientação informa que o trabalho efetivo de digitação não deve ultrapassar 5 horas por dia, com pausa de 10 minutos a cada 50 minutos. A aplicação deve ser integrada à organização do trabalho, sem transformar a pausa em motivo de punição ou em intervalo informal que desaparece diante da pressão por volume.
As soluções podem envolver altura e alcance de superfícies, apoio para materiais, dispositivos de auxílio, redução de força, rearranjo de fluxo, adequação de ferramentas e alternância planejada. Em uma linha de produção, por exemplo, a intervenção pode ser mais eficaz quando reduz a repetição na origem do que quando apenas orienta o trabalhador a manter a postura. Em operações administrativas, o ajuste do posto precisa vir acompanhado de gestão das demandas e das pausas.
Avaliação e monitoramento de riscos
A avaliação deve começar pela exposição real, observando tarefa, variabilidade, picos de produção, população envolvida e queixas. A Fundacentro orienta o uso de medidas técnicas de engenharia, organizacionais e ou administrativas para eliminar ou reduzir sobrecargas musculares, a partir da avaliação ergonômica preliminar ou da análise ergonômica do trabalho.
A avaliação ergonômica preliminar pode oferecer uma leitura inicial para localizar riscos e orientar prioridades. Quando a situação exige aprofundamento, a análise ergonômica do trabalho examina demandas físicas e cognitivas, posturas, modos operatórios e organização. O método escolhido deve responder à pergunta de gestão: qual fator causa o risco, qual ação é possível e como será verificado o efeito?
Monitorar não significa apenas contar afastamentos. É útil acompanhar queixas por setor, restrições, encaminhamentos, adesão a pausas, execução de ações, reincidência, tempo de resposta, produtividade, qualidade e percepção dos trabalhadores. Em empresas com várias unidades, os indicadores precisam ter definições iguais, mas a interpretação deve considerar o contexto de cada operação.
A prevenção de LER e DORT exige ações integradas e contínuas, com foco em ergonomia, diagnóstico precoce e acompanhamento sistemático dos trabalhadores. Essa continuidade é o que permite identificar se a causa foi removida ou se a empresa apenas tratou a consequência. O comitê de ergonomia pode ajudar a reunir áreas, acompanhar planos e levar evidências para a decisão executiva.

Como calcular o retorno sobre o investimento (ROI) na prevenção?
O ROI da prevenção pode ser calculado comparando o benefício financeiro estimado com o investimento realizado. Uma fórmula gerencial simples é: ROI igual a benefícios financeiros evitados ou obtidos, menos o investimento, dividido pelo investimento.
O primeiro passo é definir uma linha de base. Reúna afastamentos relacionados a queixas musculoesqueléticas, horas perdidas, custos de substituição, atendimentos, restrições, horas extras, retrabalho, queda de produção e indicadores de qualidade. Quando o dado financeiro não está disponível, use uma estimativa interna transparente, registre a premissa e mantenha o mesmo critério ao longo do acompanhamento.
Depois, calcule o investimento total. Inclua diagnóstico, horas de profissionais, adequações físicas, ajustes de processo, treinamento, comunicação, monitoramento e manutenção. Não esconda custos internos, como o tempo de gestores, participação do SESMT ou parada necessária para implantar uma melhoria. Um cálculo incompleto pode apresentar um ROI artificialmente alto e perder credibilidade diante da diretoria.
Na etapa seguinte, estabeleça metas vinculadas ao risco. Em vez de prometer apenas menos afastamentos, acompanhe a redução de exposição, a execução das ações, a queda de queixas, a menor reincidência, a melhora da capacidade operacional e o retorno seguro ao trabalho. O resultado financeiro deve ser conectado a indicadores que a equipe consiga influenciar e auditar.
Considere também benefícios que não aparecem imediatamente no caixa, como retenção de conhecimento, confiança dos trabalhadores, previsibilidade operacional, conformidade e capacidade de escalar boas práticas para outras unidades. Eles não devem ser convertidos em valor sem uma premissa clara. É melhor apresentar uma faixa qualitativa ou cenários conservador, provável e favorável do que atribuir precisão falsa ao cálculo.
Um painel de ROI precisa mostrar o período analisado, a população coberta, os custos incluídos, a fonte de cada dado e as decisões tomadas. A empresa pode começar por uma área crítica, medir o efeito e então expandir. O artigo da SEFIT sobre cálculo de ROI em ergonomia pode apoiar a estrutura desse business case, enquanto a avaliação de resultados ajuda a escolher os indicadores de acompanhamento.
O ROI não deve ser a única justificativa. Uma medida pode ser necessária para reduzir risco ocupacional mesmo quando o retorno financeiro é difícil de isolar. Ainda assim, medir custo, execução e efeito melhora a priorização e ajuda RH, SESMT e diretoria a falar a mesma linguagem.

Quais são os benefícios da prevenção de LER?
A prevenção bem estruturada reduz a exposição a riscos e pode diminuir custos associados a tratamento, afastamento, substituição e perda de produtividade. Seus efeitos aparecem tanto nos indicadores de saúde quanto na estabilidade da operação.
Redução de custos com saúde
Quando a empresa identifica precocemente desconfortos e corrige os fatores relacionados ao trabalho, tende a reduzir a evolução de casos evitáveis e a necessidade de respostas emergenciais. Isso não significa impedir toda ocorrência, mas criar condições para agir antes que a queixa se transforme em limitação, afastamento ou retorno inseguro.
O ganho financeiro deve ser observado em diferentes centros de custo. Além das despesas assistenciais, entram horas de supervisão, remanejamento, contratação temporária, treinamento de substitutos, horas extras e impacto sobre a equipe. A gestão ambulatorial e a fisioterapia do trabalho podem contribuir para organizar o cuidado, o encaminhamento e o acompanhamento, sempre articuladas com a medicina do trabalho e a análise das condições que originaram a queixa.
O estudo publicado na Redalyc afirma que a ergonomia adequada aumenta a produtividade da equipe e ajuda a prevenir custos elevados de tratamento e afastamento. A mensagem é importante para a diretoria: ergonomia não deve ser vista somente como despesa de benefício, mas como uma decisão que protege capacidade produtiva e reduz desperdícios relacionados à doença ocupacional.
Para demonstrar o efeito, compare a tendência dos eventos com o nível de execução das ações e avalie se as áreas semelhantes receberam intervenções comparáveis. Evite atribuir toda melhora a uma única atividade quando houve mudanças simultâneas em quadro, volume, processo ou gestão. A qualidade da análise aumenta quando as premissas são expostas.
Aumento da produtividade
A produtividade sustentável depende de pessoas capazes de executar o trabalho com segurança, qualidade e regularidade. Dor, fadiga e desconforto podem reduzir ritmo, atenção e precisão, mesmo quando não geram afastamento formal. Ao diminuir sobrecargas e melhorar a organização, a empresa pode reduzir interrupções, erros, retrabalho e variações de desempenho.
O resultado não vem de acelerar o trabalhador. Vem de remover obstáculos, melhorar o fluxo, ajustar recursos e tornar a execução mais previsível. Em uma operação logística, pequenas mudanças no posicionamento dos materiais ou na sequência de tarefas podem reduzir alcances desnecessários. No escritório, a adequação do posto precisa ser acompanhada de pausas e distribuição razoável da demanda.
A produtividade também melhora quando a liderança sabe responder aos sinais iniciais. Um gestor que registra uma queixa, aciona o fluxo correto e acompanha a solução ajuda a evitar que o problema se prolongue. Isso cria confiança e melhora a qualidade dos dados usados pela área de saúde ocupacional.
Para conectar prevenção e desempenho, acompanhe produtividade com qualidade, segurança e saúde. Um aumento de volume acompanhado de mais queixas e afastamentos não representa sucesso sustentável. O indicador executivo precisa mostrar equilíbrio entre entrega, capacidade humana e risco.

Vale a pena investir na prevenção de LER?
Sim, vale a pena investir quando a prevenção é dimensionada pelos riscos, acompanhada por indicadores e conectada às decisões da operação. O investimento fica frágil quando se limita a ações avulsas sem diagnóstico, responsável ou verificação.
A pergunta correta não é apenas quanto custa prevenir LER, mas quanto a empresa está disposta a perder por não conhecer e controlar suas exposições. A resposta deve considerar afastamentos, presenteísmo, pressão sobre equipes, qualidade, conformidade e continuidade operacional. Em empresas industriais, logísticas e com múltiplas unidades, a escala das consequências torna ainda mais importante estabelecer um modelo replicável de gestão.
Investir não significa implantar tudo ao mesmo tempo. Significa definir prioridades com base em risco e impacto. Uma unidade com aumento de queixas e alta repetitividade pode demandar diagnóstico e intervenção imediatos. Outra pode precisar primeiro organizar indicadores, treinar gestores e estruturar o fluxo de acompanhamento. O orçamento acompanha a necessidade, e não uma solução padronizada para todos os setores.
A prevenção também protege a qualidade da decisão. Sem avaliação, a empresa pode gastar em mobiliário que não resolve a causa, promover treinamento que não altera a tarefa ou iniciar ginástica laboral sem enfrentar ritmo e força. A SEFIT entende que ergonomia precisa dialogar com fisioterapia do trabalho, saúde ocupacional, organização e produtividade. Essa visão reduz a distância entre recomendação técnica e execução operacional.
A decisão fica mais segura quando a diretoria recebe um plano com linha de base, riscos prioritários, ações, custos, responsáveis, indicadores e critérios de revisão. O resultado não deve ser apresentado como promessa, mas como acompanhamento estruturado daquilo que a empresa decidiu controlar.

Quais são os próximos passos para implementar a prevenção?
Comece transformando a preocupação com LER em um plano de gestão: conhecer os riscos, priorizar as áreas, executar ações e acompanhar os efeitos. A implementação deve envolver RH, SESMT, liderança operacional e trabalhadores.
O primeiro passo é reunir os dados já existentes. Cruze afastamentos, atestados, restrições, queixas, atendimentos, acidentes, resultados de avaliações, registros do PGR e informações de produtividade. Observe onde os eventos se concentram, quais tarefas têm maior exposição e quais unidades apresentam padrões semelhantes. Essa visão evita iniciar o programa pela área mais visível, em vez da área mais crítica.
Em seguida, faça uma avaliação ergonômica preliminar para mapear riscos e definir prioridades. Quando a complexidade da tarefa ou a necessidade de aprofundamento exigir, avance para uma análise ergonômica do trabalho. O resultado deve indicar causas prováveis, recomendações, responsáveis e critérios de aceitação. A avaliação só cria valor quando vira decisão e ação.
Depois, estruture um plano com medidas de engenharia, organização e administração. Inclua mudanças no posto, ferramentas, layout, fluxo, pausas, alternância, treinamento e acompanhamento de trabalhadores. Para cada ação, defina responsável, dependência, evidência de conclusão e indicador de efeito. A gestão de ergonomia da SEFIT pode apoiar essa organização com diagnóstico, planos personalizados, implementação e monitoramento contínuo.
Crie uma governança simples. Reuniões periódicas devem analisar indicadores, obstáculos, casos prioritários e decisões pendentes. O comitê de ergonomia pode integrar áreas que normalmente trabalham separadas, enquanto a liderança local garante que a solução seja praticável. Em empresas com várias unidades, mantenha um padrão corporativo e permita adaptações justificadas pela realidade de cada operação.
Por fim, apresente o business case à diretoria e combine o ciclo de revisão. Mostre o custo do problema, o investimento necessário, o risco de não agir, os indicadores de sucesso e a forma de prestação de contas. A empresa pode buscar apoio técnico da SEFIT para estruturar diagnóstico, gestão de ergonomia, treinamentos, fisioterapia do trabalho e indicadores de saúde musculoesquelética. O próximo passo é uma conversa orientada pelos dados da sua operação, com foco no que precisa ser priorizado e medido.
- Consolidar dados de saúde, absenteísmo, produtividade e exposição por unidade ou setor.
- Realizar avaliação ergonômica preliminar e aprofundar a análise quando a tarefa exigir.
- Priorizar medidas de engenharia, organização e administração conforme o risco identificado.
- Definir responsáveis, indicadores, evidências de execução e rotina de governança.
- Apresentar o plano à diretoria e revisar os resultados com base nos dados coletados.
- reduzir afastamentos musculoesqueléticos em uma unidade → Comece pela consolidação dos dados e por uma avaliação ergonômica das tarefas com maior exposição.
- justificar o orçamento preventivo à diretoria → Monte um business case com linha de base, custos evitáveis, investimento total, indicadores e critérios de revisão.
- melhorar a ergonomia em uma operação com várias unidades → Crie um padrão corporativo de indicadores e metodologia, permitindo adaptações justificadas em cada local.
- evitar que o treinamento seja uma ação isolada → Combine capacitação com mudanças na tarefa, pausas, alternância, liderança responsável e monitoramento.
- comprovar resultado do programa → Acompanhe exposição, queixas, afastamentos, execução das ações, qualidade e produtividade em um painel integrado.
- Empresa com muitas queixas e pouca informação sobre as causas: Priorize diagnóstico, avaliação ergonômica preliminar e organização dos indicadores antes de ampliar intervenções.
- Operação com tarefas repetitivas e ritmo elevado: Investigue a organização do trabalho e combine medidas de engenharia, alternância, pausas e acompanhamento dos trabalhadores.
- Empresa com programa existente, mas sem comprovação de resultado: Revise a linha de base, padronize os indicadores e conecte cada ação a uma evidência de execução e efeito.
- Empresa com múltiplas unidades e práticas diferentes: Estruture governança corporativa de saúde musculoesquelética com metodologia comum e planos adaptados por unidade.
Leia também
- como calcular o custo de um programa de ergonomia para empresas
- como calcular o ROI em ergonomia
- como integrar a ergonomia ao PGR
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Perguntas frequentes
O que entra no custo da prevenção de LER?
Entram diagnóstico, análise das tarefas, adequações de postos e processos, treinamento, organização de pausas, acompanhamento de trabalhadores, gestão de indicadores e manutenção das melhorias. O custo deve refletir o programa completo, não apenas a compra de equipamentos.
A prevenção de LER depende apenas de ergonomia?
Não. Ergonomia é uma competência central, mas a prevenção também envolve organização do trabalho, liderança, fisioterapia do trabalho, saúde ocupacional, diagnóstico precoce e monitoramento. O resultado depende da integração dessas frentes.
Treinamento sozinho evita LER?
Não necessariamente. O treinamento orienta e conscientiza, mas não corrige ritmo excessivo, repetitividade, força, alcance inadequado ou falta de recuperação. A capacitação precisa acompanhar mudanças na tarefa e na organização.
Como saber se o investimento preventivo funcionou?
Compare a linha de base com indicadores de queixas, afastamentos, restrições, exposição, execução das ações, produtividade, qualidade e reincidência. Também registre as premissas usadas para estimar custos evitados.
A NR-17 trata da prevenção de LER?
Sim. A NR-17 orienta a adaptação das condições de trabalho e prevê medidas como pausas para recuperação psicofisiológica e alternância de atividades. A aplicação deve considerar a tarefa real e a organização do trabalho.
Qual avaliação deve ser feita primeiro, AEP ou AET?
A avaliação ergonômica preliminar é uma porta de entrada para identificar riscos e priorizar ações. A análise ergonômica do trabalho aprofunda a compreensão de tarefas, demandas, posturas e organização quando a situação exige investigação detalhada.
Como a prevenção impacta o absenteísmo?
Ao reduzir exposições e favorecer o diagnóstico precoce, a prevenção pode diminuir a evolução de queixas para limitações e afastamentos. Para comprovar o efeito, acompanhe absenteísmo junto com indicadores de exposição e execução das ações.
A SEFIT pode apoiar um programa de prevenção de LER?
Sim. A SEFIT atua com gestão de saúde empresarial e oferece soluções como avaliação ergonômica preliminar, análise ergonômica do trabalho, gestão de ergonomia, comitê de ergonomia, treinamentos, fisioterapia do trabalho, gestão ambulatorial e indicadores.
Glossário
LER: Lesões por esforços repetitivos, expressão usada para descrever quadros relacionados a sobrecargas repetitivas no trabalho.
DORT: Distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho, associados às condições e à organização das atividades ocupacionais.
AEP: Avaliação Ergonômica Preliminar, usada para identificar riscos e orientar prioridades de prevenção.
AET: Análise Ergonômica do Trabalho, investigação detalhada das tarefas, demandas, posturas e organização do trabalho.
Presenteísmo: Situação em que a pessoa permanece trabalhando, mas tem seu desempenho afetado por dor, fadiga ou condição de saúde.
ROI: Retorno sobre o investimento, comparação entre benefícios financeiros e recursos aplicados em uma iniciativa.
NR-17: Norma Regulamentadora que estabelece diretrizes para adaptar as condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores.